Quem sou eu

Irajá, Rio de Janeiro, Brazil
Estive deprimido nos últimos anos mas parece que acabou. Amanheci muito bem na segunda e continuei bem a semana toda. Percebi uma coisa muito importante. Percebi que sou livre. Estou no auge de minha forma física e mental e sou livre como nunca fui. Livre como talvez nunca vou ser. Mais livre do que a maioria das pessoas que conheço jamais será.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Pamonha, Pamonha, Pamonha!


“...É o puro creme do milho verde. Venha provar, minha senhora: é uma delícia!” Quem nunca ouviu essas frases saindo do alto falante instalado em Kombis ou Brasílias que atire a primeira pedra. Se o criador dessa pérola da publicidade a tivesse registrado e recebesse por cada um que a utiliza ele seria uma das pessoas mais ricas do Brasil.

O ato das vendas realizadas por ambulantes é muito antigo. No Brasil, há muito, os Caixeiros Viajantes e Mascates, em geral turcos, armênios e libaneses, ficaram famosos percorrendo as ruas das capitais e do interior do país.

Lembro-me com alegria dos tempos de criança quando o Peixeiro Jorjão passava pela rua onde eu morava. Seu chamado era característico e ouvido de longe: “Olha o Peixe, peixe fresquinho! Sardinha, Pescada, Peixe Porquinho!” e era quase certo que um bando de crianças como eu sairiam correndo de casa pedindo para que ele esperasse as avós que chegavam mais devagar.

Até o ritual era fascinante. Após o pedido feito, o carrinho cheio de gelo se transformava, no melhor estilo Transformers, em uma elaborada bancada para a limpeza, pesagem e embalagem dos peixes. Sem contar é claro, na balança manual que ele usava e que nunca havia recebido alguma fiscalização do INMETRO... Mas ninguém se importava, pois aquele era o Seu Joaquim e o peixe era sempre fresquinho.

Hoje em dia, muito desse charme foi perdido. São carros, peruas e caminhões que vendem de tudo que possamos imaginar utilizando os ruidosos alto-falantes, causando certamente incrementos à poluição sonora, mas proporcionando muitas vezes também ótimas gargalhadas, com suas frases de “efeito”.

Outro dia estavam vendendo sorvete de massa. A frase enaltecia o produto e informava o preço, mas também explicitava uma exigência: “Olha o Sorvete Cremoso! Temos todos os Sabores. Duas bolas um Real, um litro 5 reais. TRAGAM A VASILHA E A TIGELA!!!”. Eu definitivamente não tomaria o sorvete, mas fiquei imaginando a fila se formando ao lado do carro, e todos portanto multicoloridos recipientes de plástico para que pudessem saborear a iguaria refrescante!

O português impecável de vendedores de frutas e padeiros também impressiona. A especialidade costuma ser a aplicação de plurais e diminutivos: “Bom Dia Freguesia! Seis ‘maçã’ por dois ‘real’!” ou “Olha o padeiro trazendo pão quente! ‘Deis’ ‘pãozinhos’ por ‘treis’ ‘real!” e por aí vai...

Mas às vezes a tecnologia falha. Isso aconteceu no último sábado, enquanto sentava na porta de casa: a Kombi com o alto-falante chega na rua e estaciona. Imediatamente os últimos sucessos do Axé começam a ser reproduzidos para chamar a atenção para a mensagem que sabemos estar por vir. A música pára e a expectativa vai a mil, seguida por uma ducha de água fria: o anúncio era simplesmente ininteligível.

Os responsáveis, ainda deixaram aquilo acontecer por muitas vezes antes de perceberem que ninguém se aproximava, simplesmente por não fazerem idéia do que se tratava. Finalmente rendidos, começam a passar de casa em casa oferecendo a mercadoria. Essa fiz questão de esperar pela vez da minha casa para saber do que se tratava, afinal, qual seria o produto que estaria ligado a uma campanha tão animada, ao ritmo do Axé.

Bom, eram produtos de limpeza, mas de mim eles só arrancaram mesmo gargalhadas...



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