(isso é que é título imponente, não?)
Dizem que os brasileiros não gostam de ler e tampouco de escrever.
Quando cursei o ginásio, se a professora de Língua Portuguesa solicitasse a leitura de um livrinho de cem páginas da Série Vaga-Lume, embora as histórias fossem geralmente muito boas sempre havia o coro dos descontentes (alguns muito preguiçosos, diga-se de passagem, pois naquele tempo ninguém trabalhava fora, no máximo ajudava a mãe a varrer a casa). E quando o assunto era redação, a coisa ficava ainda pior, afinal, era cada um por si e as possibilidades de cola eram nulas, a não ser que o exercício ficasse com tarefa de casa, é claro.
Mas se isso é verdade, então como explicar a grande, enorme quantidade de Blogs tupiniquins, senão o fato de haver muitos brasileiros que gostam de escrever, o que não significa exatamente escrever bem, além de muitos outros que gostam de ler o que outros escrevem?
Sendo assim, considerando as pessoas que tiveram acesso à alfabetização e, neste caso, ao uso da internet (que em praticamente tudo utiliza a comunicação escrita), talvez não seja verdade que os brasileiros não gostem de ler. Pode até ser que muitos não tenham é dinheiro para comprar livros, como sei que era o caso de vários dos meus colegas da escola. Ou então gostem de ler sobre assuntos que não entraram nesse dado estatístico, que eu nem sei se existe mesmo ou se é só mais uma frase de impacto: "O Brasileiro Não Gosta De Ler".
Por exemplo, tenho certeza absoluta de que as revistas de fofocas não estão incluídas no quesito ‘leitura’, embora, obviamente sejam materiais escritos. Em grande parte dos consultórios, salões de beleza e até mesmo banheiros residenciais existe pelo menos um exemplar da Caras, Tititi e suas versões genéricas. O que significa, portanto, que há muito público para esse tipo de publicação.
Bom, já quanto a escrever, o caso parece ser mais complexo. Dentre outros motivos, a insegurança certamente é um fator que torna muitas pessoas avessas à expressão escrita. No meu caso, parece que tenho uma redação razoável, mas tenho certeza de que se o Professor Pasquale passasse por aqui seria capaz de indicar pelo menos meia dúzia de incorreções em meus textos, isso porque em toda a minha vida acadêmica eu sempre fui o queridinho dos professores e professoras de Português. O que dizer então daqueles pobres estudantes que, por sentirem-se esmagados pelo peso de monstros literários, morfológicos e semânticos, renegaram eternamente sua própria Língua Mãe?
Pois eu lhes digo: embora não tendo feito as pazes com ela, estes indivíduos escrevem, e muito, em recantos da internet como blogs, fóruns de discussão, chats, livros de visita, etc. E nota-se a presença dos mesmos não só por transgredirem as regras mais básicas da nossa língua, mas também por terem criado uma linguagem própria, alternativa e sintética, através da qual se comunicam e cuja compreensão possui um alto grau de dificuldade. Percebam isso nos trechos originais abaixo, retirados aleatoriamente de blogs disponíveis na internet:
... nós tocamu ela doido dimais... só qm tava lá pra podê descrever... tipo q eu tava cumeçanu no baxo e tals (...)”
Aew Aew Eu toh indu viaja e eu voh atualiza issu aki denovo soh lah pra sabado ou domingo entaum esperem um poko...”
Depois da burrice q eu fiz eu to comentanu aki... ai meu deus...eu so mtu leda msm... as fotus taum mtu per... queria mtu ter ido mais neim deu...mais no proximu eu vo....
Te adoro!!!! Beijim!!”
Não chego a afirmar que todos os adeptos desta nova língua o sejam em virtude do ódio interno nutrido contra as normas cultas da Língua Portuguesa. Muitos deles provavelmente possuem traumas ligados ao uso do computador, ou do teclado. Talvez a maior parte deva-se a adolescentes interessados em manter uma comunicação própria e peculiar, por rebeldia, curtição, ou então como forma de selecionarem os indivíduos para seus grupos. Vai saber o que se passa nessas mentes em polvorosa...
PS: Peço desculpas aos leitores, pois numa crise de "branco mental" eu acabei reutilizamdo um pedacinho da minha postagem inicial...
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