O pós-moderno nunca existiu. É o que defende Gilles Lipovetsky. Sendo ele mesmo um dos filósofos que popularizaram a idéia de pós-modernidade, afirmou recentemente que nunca houve algo parecido com o que se propunha. Na verdade, desde a década de 50, estaríamos vivendo apenas uma forma diferente de modernidade. Mais avançada. Uma hipermodernidade. Um moderno mais moderno do que nunca.
De 50 pra cá, a vida do homem moderno mudou sensivelmente em todos os aspectos. A modernidade nos trouxe liberdade sexual e vibradores de diversos tamanhos e cores. E o mais importante e relevante para este texto: a modernidade nos trouxe conforto através de objetos eletrônicos diversos. De liquidificadores a celulares com câmeras fotográficas embutidas, a modernidade nos trouxe até uma máquina que serve apenas para descascar frutas.
Mas ignorando o óbvio que é tudo isso, é evidente que toda essa parafernália eletrônica de que dispomos é de grande valor. Contudo, o que poucos percebem é que essa explosão de máquinas para usos diversos no mínimo contribui para a “burrificação” da sociedade. Não estou atentando unicamente para o fato de que na década de 50 as mulheres sabiam descascar frutas. A conseqüência é mais abrangente.
A parafernália veio. Mas com ela não veio o conhecimento científico/tecnológico que nos permite, por exemplo: tirar fotos dos amigos bêbados com um telefone, ou mandar torpedos com o nick “GaTiNhA_mAnHoSa”. Os eletrônicos foram feitos para leigos continuarem leigos. Você não aprende a usar um objeto, e muito menos compreende os princípios científicos utilizados na produção do mesmo. Você apenas aprende que apertar uns botõezinhos resulta num efeito útil a sua necessidade momentânea.
E isso é confortável. Não saber é confortável. Não ter que aprender é confortável. Foi com esse espírito que nosso mundinho ocidental entrou nessa nova fase, onde uma rede de computadores interligados pela internet tem agora a importância que a televisão já teve. Sim, foi exatamente com esse espírito de preguiça mental que nós entramos na hipermodernidade e... quebramos a cara.
Definitivamente os computadores não são como as outras máquinas. Com relação a este objeto, ou você sabe exatamente o que está fazendo, ou ele constitui aquilo que chamaremos aqui de “treco”. E a conseqüência direta de nossa preguiça mental é que sim, os computadores vivem dando treco.
Trecos são fenômenos não esperados. Os seres humanos não estão preparados psicologicamente para lidar com os mesmos. O que enche o bolso de técnicos evangélicos diversos, que consertam o seu computador e logo após instalam a mais nova versão da Bíblia on line.
Os números não mentem. Todas as pessoas do mundo inteiro já foram capazes de constatar o óbvio: os computadores dão mais treco do que as máquinas de lavar. O computador, além de ser algo extremamente útil também é um organismo vivo cabuloso. Esta pequena máquina à sua frente é capaz de lhe despertar o mesmo ódio que você sentia da sua Tia Alda, quando ela te obrigava a ir fantasiada de pierrô, numa festinha onde todas as suas amiguinhas estavam vestidas de oncinhas ou odaliscas.
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Quem sou eu
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- Irajá, Rio de Janeiro, Brazil
- Estive deprimido nos últimos anos mas parece que acabou. Amanheci muito bem na segunda e continuei bem a semana toda. Percebi uma coisa muito importante. Percebi que sou livre. Estou no auge de minha forma física e mental e sou livre como nunca fui. Livre como talvez nunca vou ser. Mais livre do que a maioria das pessoas que conheço jamais será.
domingo, 9 de março de 2008
Ligações Perigosas: Tecnologia de Última Geração e a Hipermoderna Família Brasileira
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domingo, março 09, 2008
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sábado, 1 de março de 2008
O Inédito Registro do Acasalamento de Garças de Papel no Turcomenistão
SCIENTIFIC, WHAT? – MATÉRIA DE CAPA
A renomada revista “Scientific, What?” tem orgulho de trazer ao seu seleto público mais uma matéria exclusiva, fruto de intenso trabalho de campo de nossos fotógrafos jornalísticos e da insaciável sede de conhecimento da comunidade científica turcomena.
Após meses de cuidadosa programação, uma equipe formada por cientistas da ULT (Universidade Livre do Turcomenistão) e por K.S. Euran, nosso mais conhecido fotógrafo jornalístico, saiu em campo buscando pelas raríssimas e nunca registradas Garças de Papel Turcomenas, espécie que no passado pululava nas planícies do país, mas hoje encontra-se ameaçada de extinção devido à expansão da indústria petrolífera.
Depois de intensa busca pelo interior turcomeno, com a equipe já para desistir, todos acabaram sendo recompensados quando encontraram não apenas um, mas um casal das belas aves e em plena temporada de acasalamento.
“Os cientistas extasiados com a demonstração única, entraram numa espécie de transe e iniciaram um complexo ritual agradecimento por poderem presenciar tal evento. Eu simplesmente não sabia se fotografava as aves ou os cientistas...”
Esse simples relato do enviado da revista já ajuda a transmitir a emoção provocada neste momento histórico.
Na seguinte seqüência de fotos, temos o registro definitivo – e inédito – do maravilhoso ritual de acasalamento de tão graciosas aves:
Pode-se ver claramente a aproximação suave do macho, as preliminares cuidadosas, o ato em si e finalmente o carinho demonstrado pelo casal formado pelas exóticas e raras aves turcomenas.
Aproveitamos ainda, para lançar um apelo à comunidade mundial pela preservação das espécies animas, não interferindo – ainda mais – em seus ecossistemas, pois todos os seres vivos são importantes para o equilíbrio da vida em nosso pequeno planeta, inclusive as pequenas garças de papel.
Longa vida à fauna de papel turcomena!
***
Observações:
1- Após essa experiência no Turcomenistão, o fotógrafo K.S. Euran, alegando fortes traumas deixou a revista e atualmente trabalha como fotógrafo artístico para revistas de caráter homoerótico.
2- Infelizmente, mesmo com o esforço de organizações não governamentais, as garças de papel turcomenas acabaram extintas, logo após a saída da equipe do país. O governo local deixou de protegê-las, após tomar conhecimento do – escandaloso – ritual realizado pelos membros da expedição.
3- ONG’s como Greenpeace, APGP (Associação Protetora das Garças de Papel), GAPREO (Grupo de Apoio a Praticantes de Rituais Exóticos e Obscenos), Sociedade Protetora dos Animais e outras, entraram com uma representação na ONU, exigindo uma exemplar punição aos responsáveis pela omissão do governo turcomeno.
4- A Universidade Livre do Turcomenistão proibiu a Revista “Scientific, What?” de entrar em detalhes sobre o “ritual comemorativo” realizado por seus pesquisadores.
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Charlton Heston versus Ben-Hur
Estamos no início do século I, em Jerusalém. O jovem e rico judeu de família nobre, Judah Ben-Hur, não aceita a exploração de seu povo pelo Império Romano, e por defender esta convicção é traído pelo amigo de infância Messala, agora chefe das legiões romanas na cidade, que o leva a ser condenado por um crime do qual é inocente. Inicia-se aí a saga do herói do filme de 1959, "Ben-Hur", baseado no livro de Lew Wallace e vencedor de 11 Oscars, meu longa-metragem preferido por dezenas de motivos, dentre eles a música, o Tecnicolor, as atuações, os cenários, as grandes tomadas, as lembranças que me traz.
Charlton Heston interpretou Judah Ben-Hur e por isso é também o meu ator favorito. Entretanto, assistindo a outro filme – Tiros em Columbine –, um documentário do diretor Michael Moore realizado em 2002, conheci uma faceta dele que até então não sabia existir.
O ator hoje tem cerca de 80 anos e sofre do Mal de Alzheimer. Não foi fácil ver o forte e belo Judah curvado, de cabelos brancos, vagaroso e trêmulo, os olhos outrora tão azuis e límpidos agora levemente turvos. Mas foi ainda mais difícil perceber que nem em suas palavras ele parecia-se com o justo, honesto e valoroso Ben-Hur.
Presidente da Associação Americana do Rifle, Charlton Heston fez afirmações que aparentaram estarem repletas de racismo durante a entrevista concedida a Moore sobre o uso de armas nos EUA, que jamais imaginei pudessem sair da boca de quem vivenciou com tanta maestria no cinema o sofrimento causado pela discriminação, não somente em Ben-Hur mas também no filme Planeta dos Macacos, como o protagonista Coronel George Taylor. Quando ouvi aquelas declarações, pensei: “Como alguém que me fez refletir tanto sobre a ignorância e a brutalidade humanas, que me comoveu e me levou às lágrimas pôde demonstrar a intolerância que ele demonstrou?”.
Evidentemente não sou passional a ponto de seguir o raciocínio inverso e odiar os atores que costumam interpretar malvados. Mas penso que, embora não tendo vivido efetivamente determinadas situações na vida real, a experiência de tê-las encenado na arte seja suficiente para o ator sentir-se no lugar dos indivíduos que vivem aquela realidade, passando a compreendê-los melhor, e aprendendo alguma coisa com as ações do personagem a que ele próprio deu vida.
Não sei em até que ponto a entrevista foi editada, afinal Michael Moore às vezes parece um desses repórteres sensacionalistas que manipulam pessoas e fatos para comprovar suas opiniões, embora elas sejam legítimas. De qualquer maneira, é possível que ele tivesse pressionado Heston, mas não que tivesse alterado os comentários que o próprio fez em alto e bom som.
Contudo, da mesma forma como não poderia ter julgado a índole do ator pelos papéis que ele representou, a verdade é que também não posso condená-lo por uma mera entrevista e nem pelo que a mídia mostra e afirma sobre ele. Por esta razão, não vou concluir dizendo que Charlton Heston é um vilão na vida real que interpreta mocinhos no cinema, nem um homem sensível que expressa seus sentimentos na arte e faz pose de durão na vida social, pois simplesmente não posso provar nenhuma das duas afirmações.
E para o leitor que não está interessado nem um pouco neste assunto tão específico mas acompanhou fielmente o texto até aqui, espero que a leitura tenha servido ao menos para deixá-lo curioso em assistir algum dos filmes citados, se é que ainda não os conhece: "Tiros em Columbine", "O Planeta dos Macacos" e o inesquecível "Ben-Hur”.
* Entre dezenas de sites que criticam Charlton Heston com base na imagem forjada pelo documentário "Tiros em Columbine", acabo de encontrar a página Bowling For Truth, que faz uma série de acusações à forma parcial como os fatos são mostrados nos filmes de Michael Moore, e onde existe um link específico para o caso da entrevista com Heston. Sem entrar no mérito de quem está certo e quem está errado, o fato é que cada vez mais chego à conclusão de que nossas opiniões sobre assuntos como estes serão sempre parciais, já que baseadas somente na parte da história que a mídia nos revelou.
Esse sim, daria um ótimo vereador...
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Marcados a Ferro, Fogo e Tecnologia - A Geração da Revolta
Não nego que quase fui até à sorveteria, afinal, eles sabem todos os meus gostos mesmo. Mas o impulso foi momentâneo e a breve lembrança de que Eles só sabiam disso graças ao chip implantado sob a minha pele foi o suficiente para perder toda a vontade.
Na verdade, só de pensar que a vida toda carrego comigo esse dispositivo já fico nauseado. Meu avô foi a única pessoa viva que conheci que não podia ser identificado através dos leitores de retina ou chips.
Confesso que quando criança não entendia o orgulho dele em ser assim, e morria de vergonha quando passeávamos e as pessoas percebiam que ele era um não-cadastrado. Mas com o tempo passei a aceitar isso e, na verdade, desejar isso para mim.
Como meu avô havia me dito, as pessoas estão condicionadas a aceitarem essa realidade e não enxergam o quanto estão sendo controladas. A qualquer hora do dia ou da noite, as centrais de vigilância podem saber exatamente onde cada indivíduo se encontra, o que estamos fazendo e com quem estamos. Tudo para a nossa segurança e comodidade!
Balela... Com isso Eles simplesmente podem nos controlar o tempo inteiro. Definitivamente preciso fazer algo para mudar essa situação. Será que existe algum lugar nesse país onde posso viver sem esse controle? Não, tenho que conseguir isso aqui onde vivo!
Em primeiro lugar tenho que encontrar mais pessoas que pensem como eu, e isso vai ser complicado. Só tenho que fazê-lo com calma, sem chamar a atenção Deles para os meus objetivos...
*** " ...ATENÇÃO, PESSOA NÃO IDENTIFICADA! ATENÇÃO, PESSOA...?
Correr e fugir! Seria inglório o legado deixado pelo meu pai se eu não me sentisse exatamente como ele quanto à situação em que vivemos.
Controlados desde o berço a população aprende o que os mandantes querem, ficam sabendo somente o que eles querem: em resumo, vivem como eles querem! Desde o nascimento escapo deste domínio e hoje sinto que estou quase conseguindo libertar todos das garras da tirania e do autoritarismo.
Quando criança eu via as graves reações ao que meu pai dizia, mas conforme cresci pude ver a organização também crescer. Aos poucos as pessoas foram abrindo os olhos e agora a grande maioria quer voltar a ser totalmente livre.
Infelizmente tivemos que partir para a luta armada contra o governo, mas agora a nossa vitória está próxima. Contudo, temos que tomar o grande cuidado de não cairmos nos mesmo erros cometidos no passado.
Mas, será que estamos preparados para que o respeito por tudo e todos impere na nossa sociedade? A Ganância e o Egoísmo tão típicos dos seres humanos serão suplantados pelo Respeito ao Próximo e a Igualdade de Direitos?
Espero que sim, senão esta guerra que se inicia pode acabar sendo em vão...
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sábado, março 01, 2008
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Marcados a Ferro, Fogo e Tecnologia
Mesmo correndo o risco de dormir novamente ele desliga o rádio e se esforça para levantar. Seria simplesmente impossível agüentar mesmo que mais alguns segundos de propaganda.
Não quer nem saber se o dia está bonito ou não, já que olhar pela janela implicaria em obrigatoriamente dar de cara com algum outdoor rotativo, sempre se atualizando. Maldita tecnologia! As novas formas de mídia de desenvolvidas já são quase capazes de nos acompanharem até na vida após a morte.
Justamente por isso a noite havia sido especialmente ruim. Simplesmente não lhe saía da cabeça a mais nova propaganda veiculada pela Media Centre – simplesmente MC – promovendo o Data Control.
“Associem-se a essa nova tecnologia, e tenham anúncios, produtos e serviços direcionados especialmente para você! E o melhor, tudo isso completamente de GRAÇA!Faça o cadastro agora mesmo no sítio www.datacontrol.mc.com e faça parte dessa grande comunidade...”
Era impossível de acreditar no que via. Os leitores de retina e chips subcutâneos estavam sendo instalados, e agora a propaganda. E o cadastro. Meu Deus, todos foram condicionados de tal forma que não perceberam o quão controlados estavam sendo, e agora estavam se preparando para serem marcados a ferro.
O próximo passo é o abate.
***
Algumas pessoas perceberam o que estava por vir e tentaram avisar. Há exatamente seis anos um texto havia sido publicado num dos inúmeros blogs que existiam naquela época. Época, é claro, anterior ao controle estatal do conteúdo da mídia.
Depois que a lei de controle foi aprovada, tudo começou a mudar. A princípio vagarosamente, fazendo todos acharem que a idéia não ia vingar. Mas tudo fazia parte do plano para fazer com que as pessoas baixassem a guarda.
E quando abrimos os olhos tudo já estava mudado. Não existiam mais notícias veiculadas online. As emissoras de rádio agora só transmitiam músicas e comerciais. Telejornais eram gravados e só mostravam notícias acontecidas há no mínimo 12 horas. A internet estava infestada de sítios de venda e de conteúdo pornográfico – pagos, é claro – e toda e qualquer página pessoal era supervisionada.
Outros itens que passaram a acompanhar a vida dele e de todos os outros foram as câmeras de vídeo.
Controlar o trânsito, evitar crimes, notícias em tempo real, o novo reality show que iria utilizar os dispositivos. Inúmeras desculpas foram dadas para a instalação das câmeras e agora todas ainda contavam com os leitores de retina e chips.
Novas desculpas, velhos objetivos. Agora mesmo sem ver a pessoa, quem se cadastrasse poderia ser localizado quase que instantaneamente em qualquer local coberto pela rede comercial – não seria de vigilância?
Já podia até prever os próximos passos do controle.
Tantos serão atraídos pelas “funcionalidades e vantagens” que logo a minoria que tentar resistir vai acabar sendo obrigada a aderir. E para evitar a exclusão social, seriam criadas leis, para que desde o nascimento as pessoas fossem identificadas. Com todos “marcados” como gado desde o berço, o controle total estaria finalmente estabelecido...
ﮒﻷŖэņęģắđởﻷﮓ
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